domingo, 8 de Novembro de 2009

Porquê? Para quê? Porquê agora? Como?

Após uma breve ausência motivada por várias situações de ordem pessoal e profissional, a que se juntou a migração do sistema operativo da Microsoft para o fabuloso Linux Ubuntu 9.10, e a aprendizagem necessária nessa plataforma informática nova para mim, estou de volta a este espaço. Peço desculpa pela ausência forçada mas, com todos os assuntos aparentemente bem encaminhados, tentarei vir aqui com mais assiduidade.
Após a publicação das duas primeiras postagens aqui feitas, alguns amigos que tiveram a gentileza de as ler, dirigiram-se-me com algumas dúvidas. Porquê fazer este blogue? E porquê agora? Como seria este espaço? O que iria ter? Seria apenas a reedição da revista Nova Costa de Oiro, ou esta iria renascer em formato digital?
A eles e a outros tentarei responder hoje.
Porquê? Acima de tudo por razões de ordem pessoal.
Como penso que saibam, infelizmente, passei parte substancial dos dois últimos anos a acompanhar o meu pai, em hospitais. Esses locais e a convivência que neles existe entre os doentes afectados por variadas doenças e muito particularmente entre os que sofrem de doenças prolongadas (cancro, neste caso) e os seus familiares é muito intenso. Muitas vezes, durante dias,  as pessoas recordam o seu passado, o que fizeram e o que ficou por fazer. E sonham... Sonham com a sua recuperação e o muito que ainda têm que fazer e para viver.
Nem sempre esses sonhos se concretizarão, mas desse período de angústia resultaram algumas conclusões. Entre elas, a de que não nunca é cedo demais para deixarmos o nosso contributo público no relato das nossas experiências e da nossa vida, enquanto estamos vivos. Sim, enquanto estamos vivos, por que depois... isso já não será possível.
Porquê? Porque ao arrumar o meu modesto arquivo na aldeia onde agora vivo conclui que é um desperdício ele só estar ao meu serviço e ao meu dispor. Porque não o poderia partilhar com quem o quisesse consultar?
Porquê? Para dessa forma prestar a minha homenagem às muitas pessoas com quem tive o prazer de colaborar na feitura da revista Nova Costa de Oiro, pessoas essas que muito me ensinaram e a quem muito devo. Ou seja, esta será a minha forma de lhes pagar a minha dívida de gratidão.
Para quê? Porque sinto algum prazer em comparar a nossa cidade tal como ela era em 1995 – ano em que surgiu a Nova Costa de Oiro (bem como o que diziam os vários agentes de então) com a realidade que se vive hoje. E por que acho que esse é um exercício necessário de cidadania.
É imprescindível sabermos de onde viemos, para compreendermos onde estamos. Não advogo a crítica não assinada em blogues, embora entenda as motivações que podem levar a esse caminho. O facto é que vivemos em Liberdade e que temos Liberdade para exprimir as nossas opiniões, assinando-as e dando a cara. E é também verdade que ao compararmos o que se dizia ou fazia em 1995 com os nossos dias podemos fazê-lo de uma forma crítica sobre os acontecimentos. Nesse sentido, embora este blogue seja uma reposição da revista Nova Costa de Oiro, poderá vir a ser uma “nova vida” dessa publicação. É isso que pretendo.
Porquê agora? Porque amanhã pode ser tarde demais, em primeiro lugar. Mas também pelo facto de ter assistido ao encerramento recente de alguns órgãos de comunicação social do nosso concelho, situação em que encontro algum paralelismo com o vivido quando a Nova Costa de Oiro fechou portas.
Como? Tenciono disponibilizar a revista no blogue coincidindo com a data em que foi publicada originalmente. Sempre que me for possível, destacarei alguns textos publicados, deles fazendo uma leitura actualizada dos mesmos e de algumas situações que se vivem agora. Paralelamente, pretendo contar algumas «estórias» relacionadas com cada edição e com a feitura de determinadas «peças» que não teriam cabimento para publicação então, mas que constituem as minhas recordações.
De vários amigos recebi palavras de incentivo, que agradeço. E também a disponibilidade para colaboração neste espaço da Nova Costa de Oiro agora «renascida» neste contexto. Para eles, basta que mo digam e eu disponibilizarei o acesso para que possam fazer as postagens que entenderem.
É por aqui que vou. No sonho. Também neste sonho.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Aprender... Aprender... Aprender até morrer

Na postagem anterior disse que quando iniciei este projecto da revista Nova Costa de Oiro com o Hélio José eu não percebia nada, mas nada mesmo, do mundo da comunicação social. Só tinha visto fazer um jornal (na rotativa do extinto «Diário Popular», que se publicou entre 1942 e 1991 e o jornal «A Bola», na altura ainda em caracteres de chumbo), numa visita de estudo a Lisboa, no ano em que terminei o 11º, na Escola Secundária Gil Eanes, acompanhado pelo então meu professor António Guedes de Oliveira, actualmente director do Correio de Lagos. Fora isso... Era a ignorância total nesta área.
Quando iniciámos a Nova Costa de Oiro equipámo-nos com um computador que, em 1995, era uma verdadeira «bomba». A «máquina» foi montada pelo Freitas e adquirida ao Luís Custódio, da Informédia, de Lagos, empresa que hoje já não existe. Comparada com os potentes equipamentos e «software» que actualmente estão disponíveis para paginação e tratamento de imagem, até custa a entender o muito que se progrediu nesta tecnologia em tão curto espaço de tempo. Embora poucos tenham dado por isso, 14 anos a nível informático significaram um avanço brutal ao nível dessas ferramentas. Mas dos que nos ajudaram nesse patamar, entre eles o Deda, o Zé Augusto, o Artur Tovar e o Carlos Bonança, falarei noutra ocasião próxima.
Com sede na Rua Dr. Joaquim Tello, nº 10, em Lagos (um prédio recentemente demolido e que pertencia ao CASLAS), equipados com um potente computador para a altura (e longe, muito longe da experiência de trabalho do José Xavier, que muito nos ensinou dos seus tempos de tipógrafo da revista Costa de Oiro, nossa antecessora), começámos a alinhavar a primeira edição da Nova Costa de Oiro (que, curiosa, mas conscientemente acabou por não ter o nº 1 estampado na capa). Esta primeira revista viria a ser impressa na Litográfica do Sul, S.A., em Vila Real de Santo António, onde eu e o Hélio José nos dirigimos para um encontro de trabalho, de modo a alinharmos os detalhes da impressão.
Não recordo quem nos deu a boleia até lá, uma vez que nem eu nem o Hélio tínhamos ou temos Carta de Condução (penso que terá sido o engenheiro Belizário...). Lá chegados fomos muito bem recebidos por um impressor que hoje sei que era da «velha guarda», que desde logo começou a colocar perguntas «difíceis», para a minha ignorância Qual o tipo de papel que iríamos usar? Quantas páginas teria em «quadricomia»? E os «planos»? E os «fotolitos»? Como??? Importa-se de repetir, perguntava-me eu em surdina, sem tentar demonstrar que não percebia nada «daquilo»?
Depois de ter tomado consciência que o «mundo das artes gráficas» nos era desconhecido, o nosso interlocutor teve a gentileza de nos fazer um «esboço» com uma folha de papel que dobrou várias vezes, para nos explicar o que eram «planos», e como se planeava uma publicação, folha essa que guardámos religiosamente nos tempos futuros e à qual chamámos carinhosamente «a Bíblia».
A primeira edição da revista Nova Costa de Oiro foi impressa na Litográfica do Sul, enquanto a segunda o foi mais perto de Lagos, mais concretamente em Portimão, na Grafistúdios, de Bernardo Silva. Só que... entre o primeiro e o segundo número foi importante e decisiva a aprendizagem.
Das razões para que a «Nova Costa de Oiro» volte a ser publicada agora, na Internet, 14 anos de ter aparecido em papel, falarei brevemente. Espero também o fazer à volta do que o Hélio José escreveu no primeiro editorial, que intitulou «Regresso ao Futuro - A Nova Costa de Oiro é:
Primeiro a MEMÓRIA e um certo ROMANTISMO.
Depois a VONTADE.
Sempre o SONHO.
Por fim o INSTINTO e a INQUIETAÇÃO.»
Hoje só me resta deixar aqui a mais importante das lições desses dias: Aprender... Aprender... Aprender até morrer, assim há-de ser!

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

E assim nasceu o sonho...

Em 27 de Outubro de 1995, Dia da Cidade de Lagos, nasceu a Revista Nova Costa de Oiro (faz hoje precisamente 14 anos...).
Nasceu ela pelo sonho do Hélio José, que me levou a embarcar com ele na aventura de criar no nosso concelho uma revista de e sobre Lagos.
Confesso hoje que quando o Hélio me convidou para abraçar o projecto Nova Costa de Oiro eu não fazia ideia do que me estava a meter, nem que a minha vida estava prestes a mudar de forma radical, pois a minha experiência em termos de Comunicação Social era nula. A minha formação académica era na área da Gestão (do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas -ISCSP- da Universidade Técnica de Lisboa) e o que eu sabia de Comunicação Social resumia-se ao convívio com os colegas desse curso, com quem partilhava as cadeiras do primeiro e segundo ano. Hoje é com prazer e orgulho que os vejo colocados em posições de destaque na área. Entre eles estavam o João Carlos Barreiros, que hoje é o director de informação da Antena 1 (e a coordenar o Contraditório, nas sextas pelas 19 horas da rádio pública), mais tarde meu camarada de armas na Escola Prática de Infantaria (EPI), de Mafra. A Maria João Barros (que saiu recentemente da RTP, em conflito desagradável com a empresa), o Paulo Salvador (TVI), ou a Margarida Pinto Correia - da Casa do Gil (que era do curso de Relações Internacionais) e que se distinguiu nas ondas do éter (Correio da Manhã Rádio e TSF). Recordo ainda o Paulo "Scorp" (na Rádio Comercial, com o «mestre» António Sérgio) bem como outros colegas que passaram pela RUT (Rádio Universidade Tejo).
De Comunicação Social eu não percebia nada. Não sabia como era feito um jornal ou uma revista, nem tão pouco no que me estava a meter. Ou que a minha vida iria mudar radicalmente ao embarcar neste projecto.
Eu já tinha colaborado esporadicamente com o Hélio no seu programa «Entre Bicas.. entre bocas...», na Rádio Atlântico Sul (104,00 Mhz). Só que a Rádio é substancialmente diferente da  imprensa escrita, como vim a perceber depois. A palavra é efémera e perde-se no momento. Criar páginas escritas, que se perpetuam no tempo, com os seus erros, com os seus acertos é algo completamente diferente. Essas estão perpetuadas em suporte físico, como pode constatar quem descarregar o primeiro número da Revista Nova Costa de Oiro, no link abaixo.
Esta (26 páginas) foi apresentada publicamente no Amuras Bar (da Marina de Lagos, do Pacheco e do Rui Calado), por ocasião das Festas da Cidade, num momento de grande ansiedade para todos nós, responsáveis. Qual seria a opinião dos nossos convidados? Como iriam eles reagir perante esta edição? Iriam compreender as nossas intenções? A nossa Revista iria ter vida longa ou efémera? Teria «pernas para andar», ou morreria logo ali? (as fotografias do evento a p/b serão publicadas em finais de Novembro)
Os momentos que antecederam a sua criação (o seu parto!) foram angustiantes e trabalhosos. Envolveram pessoas como o Mário Hélder Rodrigues (Deda) e outros que, como ele, colaboraram de forma desinteressada para que tivéssemos conseguido concretizar no papel o nosso sonho de criar uma revista de e sobre Lagos.
Foi em 27 de Outubro de 1995, Dia da Cidade de Lagos, que a revista «Nova Costa de Oiro» apareceu ao público da nossa terra. Hoje, por sentir que é um imperativo partilhar com a comunidade lacobrigense essa vivência, crio e publico o blogue Nova Costa de Oiro. Ao longo dos próximos 30 dias (até publicar o número dois da Nova Costa de Oiro) recordarei aqui alguns factos relacionados com esta edição e que poderão vir a ser de alguma utilidade para quem se dedicar a estudar o nosso concelho. Fá-lo-ei enquanto tiver vida e saúde para tal, com as edições que se lhe seguiram. Consciente que sou da minha mortalidade esse poderá vir a ser o meu (pequeno) contributo para que os vindouros fiquem mais conhecedores da realidade do nosso concelho no período de tempo em que existiu a revista Nova Costa de Oiro. Ou, talvez não, pois qualquer análise da realidade é sempre subjectiva!
Descarregar aqui a Revista em PDF

sábado, 24 de Outubro de 2009

A partir de 27 de Outubro, aqui

A partir de 27 de Outubro, abrirei aqui o meu baú das memórias enquanto ao serviço da revista Nova Costa de Oiro e partilharei publicamente o seu espólio.
Até lá...