quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Futuro de um Regresso

«A Inquietação - que não ansiedade- que sentimos até à publicação do N° 1 da Nova Costa de Oiro, "aquietou-se" um tanto mais porque o nosso primeiro objectivo tinha sido alcançado e descrito no primeiro Editorial: o N° 1 era uma edição Especial, muito ligada e à volta da cidade que viu nascer, noutras épocas, outra Costa de Oiro e que a ela estávamos ligados umbilicalmente e vamos continuar a estar. […]
Por isso criámos o nosso Estatuto, assumimos a nossa razão social, estamos na mais perfeita legalidade e só temos motivos de Inquietação, agora, por TUDO isso de ERRADO que nos circunda, pelo flagelo da violência incontida que grassa pelo Mundo e pela irónica posição que a guerra das audiências nos obriga diariamente a Sermos CADA vez mais Indiferentes.
Não queremos trilhar esses caminhos porque sendo Sonhador, deixem-me pensar que vale a pena este Sonho, de hoje e para o Futuro sem receios do passado».
Este texto foi parte do segundo editorial da revista «Nova Costa de Oiro», apresentada publicamente em Novembro de 1995, assinado pelo Hélio José, seu fundador e Director. Dele retenho esta passagem: «só temos motivos de Inquietação, agora, por TUDO isso de ERRADO que nos circunda [...]».
Já passaram mais de 15 anos sobre estas palavras. Mas actualmente, como então, continuo a partilhar este pensamento. Não me sai da cabeça tudo isso de errado que nos circunda. Hoje sinto-me tão traído como nessa época na persistência do «ERRO» por aqueles que julguei incapazes de traírem todos e quaisquer valores, embora o tenham feito sem pudor. Enganei-me. Lamento-o!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A primeira Redacção da «Nova Costa de Oiro»

A primeira Redacção e Administração da revista «Nova Costa de Oiro» localizava-se na Rua Dr. Joaquim Tello, n.º 10 - 1, em Lagos. Embora a  sua porta de entrada estivesse localizada nessa artéria, uma das janelas «dava» para a apelidada Rua Direita (por ser direita à Igreja, segundo José Paula Borba me explicou), que é a Rua 25 de Abril e que anteriormente à Revolução de 1974 teve o nome do ditador Salazar.
Esse edifício pertencia então ao Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos (CASLAS) e em 1995 já se encontrava bastante degradado. Há relativamente pouco tempo foi demolido e hoje está a nascer ali um prédio novo, para deleite dos que gostam de ver a cidade que amam bonita como deveria ser, mas não o é.
A Redacção de um órgão de comunicação desempenha um papel fundamental e central na sua vida. Ela é local de trabalho, acima de tudo. Mas é, também, o ponto de encontro dos colaboradores e do convívio imprescindível e saudável entre estes e aqueles que o fazem. 
Dos colaboradores recebemos aí muitos incentivos ao nosso trabalho. Algumas críticas construtivas, igualmente. Passámos aqui horas desejando ardentemente a cama que nos chamava, ao telefone, ao computador, a ler e a reler textos, a corrigi-los, a transcrever gravações. Mas não me recordo de alguma vez termos discutido com ardor ou rancor nesse espaço de trabalho e de confraternização!
Em 1995, a nossa Redacção nesta casa «velha» era um local de vida a nascer!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nova Costa de Oiro, n.º 2

Em Novembro de 1995, surgiu o segundo número da revista «Nova Costa de Oiro».
Na capa, em destaque, ainda com o logótipo criado pela Lucinda Correia, apresentámos uma fotografia da autoria de João Filgueiras, por cortesia da revista «Caras».
Na imagem maior, à esquerda, está o Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança acompanhado por sua esposa, Senhora Dona Isabel de Herédia. O pretendente ao Trono de Portugal deslocar-se-ia por esses dias a Lagos, a convite do Rotary Club de Lagos, ao Hotel Golfinho, num convívio de carácter humanitário que a nossa revista acompanhou por amabilidade do nosso colaborador Carlos Abreu. Desse momento vos darei mais pormenores brevemente.
Em fotografia mais pequena, no canto inferior direito da nossa capa está o José Manuel Freire. As duas páginas centrais da «Nova Costa de Oiro» (10 e 11) foram elaboradas a partir de uma entrevista a esse vereador eleito pela CDU e que nessa data já tinha cerca de 20 anos de eleito ao serviço do Poder Local saído da Revolução de Abril.
O que o José Manuel Freire disse em Novembro de 1995 à «Nova Costa de Oiro» reflectia as preocupações que então se viviam em Lagos ao nível do ambiente, dos espaços verdes e dos serviços urbanos, pois era esse o seu pelouro. Parte delas foram resolvidas, entretanto. Outras, ainda não. O seu raciocínio, a sua capacidade de análise e o seu empenho politicamente honesto e desinteressado merecem que relamos com a máxima atenção as duas páginas da sua entrevista ao «Entre bicas... Entre bocas».
[Não tem nada a ver com o que digo acima, mas segundo percebi, foi este mesmo José Manuel Freire, agora deputado municipal eleito pela CDU, impedido de intervir na última Sessão Comemorativa do 25 de Abril, em Lagos. Deve haver uma boa explicação para tal, pois ultimamente há sempre alguém de responsabilidade que fornece boas explicações para as coisas mais bizarras que acontecem na Terra dos Fenómenos, perdão, dos Descobrimentos].

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Algarve não deteriorado

Na primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro» (Outubro 1995), o nosso colaborador Joaquim Marreiros escreveu o excelente texto seguinte: «Mesmo à entrada da “cidade da Costa D'Oiro”, a cidade que amo e onde vivo desde sempre, apareceu antes do Verão este cartaz publicitário de grandes dimensões […] (do «Parque da Floresta», localizado em Budens e meu vizinho).
De todas as vezes o cartaz fazia-me, com a teimosia própria dos cartazes, a mesma pergunta em inglês: “Onde é que está o Algarve não deteriorado?”, mas que em português, entalado entre dois idiomas provavelmente dominantes, assumia a forma envergonhada de “verdadeiro Algarve. […]
Passados todos estes meses ainda não me habituei à frase, bem pelo contrário, só que a verdadeira raiva que senti ao vê-la pela primeira vez, devo confessá-lo, conduziu-me à seguinte reflexão: como é que se chega ao ponto de se utilizar a descaracterização duma região como imagem promocional dela própria
Passados 15 anos eis uma reflexão que mantém toda a actualidade e pertinência. Mas, hoje, posso responder com mais certezas do que então à pergunta do Joaquim: o Algarve não deteriorado não é no sítio publicitado no cartaz e meu vizinho da frente, nem no aldeamento da responsabilidade da mesma empresa na Boca do Rio, nem o da Praia do Martinhal. Mas no concelho da Vila do Bispo, onde agora vivo, está em quase todo o lado.
O mesmo já não posso dizer de Lagos, onde todo o litoral do concelho está deteriorado e foi destruído, o que me provoca verdadeira raiva.

domingo, 25 de abril de 2010

Celebramos 25 de Abril, «Dia da Liberdade»

Somos muitos, somos milhares, os que hoje celebramos de alma limpa e de coração aberto 25 de Abril, «Dia da Liberdade». 
A todos, une-nos a convicção da justeza dos nossos ideais e do que ainda falta fazer para se cumprir Abril.
É assim que celebramos «Abril» e tudo o que este representa!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

«Nova Costa de Oiro», ontem, hoje, eu, nós

Os primeiros tempos desta «Nova Costa de Oiro», que agora tem o seu lar num mundo virtual, ao contrário da de 1995 que era feita em papel, não têm sido propriamente fáceis.
Já relatei anteriormente as dificuldades que enfrentei a nível informático e que resultaram de sucessivas avarias de equipamentos por falha da EDP (minhas é que não foram, de certeza!).
Depois, por que estive muito tempo sem escrever e fui perdendo ritmo, inspiração, criatividade, vocabulário. Se o meu amigo José Vieira Calado («velho Mestre», cuja amizade muito prezo) não me tivesse dado umas valiosas instruções relativamente a este «Novo Mundo dos Blogues», ter-me-ia sido ainda muito mais difícil estar aqui.
Mas não foi só dele que recebi palavras de incentivo e de ajuda. António Guimarães, Nuno Marques,  Cristiano Cerol, Lucinda Correia, Miguel Velhinho, João Velhinho, José Alberto Baptista, JAAL, Rui, Miguel Velhinho, Liliana Miranda, Calitas, Deda, Hélio Xavier, Verodito Cascas, Vilhena Mesquita, Roberta Dias (vou esquecer-me de alguém sem perdão, e serei chamado à atenção, com razão...) têm-me ajudado. E o Hélio José, é claro!
Ao dar início a este projecto, eu pretendia não só partilhar o espólio da «Nova Costa de Oiro» com os meus concidadãos, como também contar «histórias paralelas» e que nunca foram reveladas relacionadas não só com os respectivos autores, como também com as «peças» por eles publicadas. Mas a verdade é que pela minha maneira de ser tenho uma grande dificuldade (inquietação!) em evitar comparar Lagos em 1995 (e até ao fim da «Nova Costa de Oiro» - Dezembro de 1999), com Lagos em 2010. Irá isso desvirtuar a minha ideia inicial? Creio que sim! Mas não o lamento!
Lagos é uma cidade centenária e não irá «morrer» após a minha morte e subsequente cremação, nem após a dos meus contemporâneos ilustres eleitos locais. Hoje, estou vivo! Sou cidadão português, nascido em Lagos, e acho que não me devo abster de participar da vida da minha cidade. Nem de comparar ontem com hoje. De opinar. De criticar. De sugerir. De errar. De contribuir assim para que tenhamos uma vida melhor, segundo os meus valores e ideologia política (por muito equivocado que eu possa estar e por muito condenável que seja esta minha ideia!).
Por estas razões, que me me são raiz e porto de abrigo, gostaria de pedir aos que foram colaboradores da «Nova Costa de Oiro» e a todos os outros que nunca o foram, meus concidadãos, que contribuam com textos ou de qualquer outra forma que entenderem para enriquecer este espaço.
A revista «Nova Costa de Oiro», em papel, fez-se com a ajuda de muita gente. Não poderá ser assim com  esta «virtual» «Nova Costa de Oiro»?.
Ontem. Hoje. Eu. Nós.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lagos e o PDM: pior é impossível!

Oito das 26 páginas da primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro» (27 de Outubro de 1995) foram uma «Separata Especial – Câmara Municipal de Lagos – Dia do Município».
Na página 14 dessa edição e integrada na Separata pode ler-se o seguinte: «...É abrangida pelo Plano Director Municipal (PDM) toda a área do concelho e todas as acções de intervenção pública ou privada que impliquem alterações de ocupação ou transformação do solo terão obrigatoriamente que respeitar as disposições do respectivo regulamento e da planta de ordenamento anexa. […] 
O PDM de Lagos visa concretizar uma política de ordenamento do território […] define princípios, regras de uso, ocupação e transformação do solo que consagrem uma utilização racional dos espaços e, finalmente, promove uma gestão criteriosa dos recursos naturais e culturais da área do município e garante a melhoria da qualidade de vida das populações».
Primeiro salto no tempo: em 20 de Fevereiro de 2002, sendo presidente da Câmara de Lagos Júlio Barroso, a vereação da autarquia tomou oficialmente conhecimento do Acórdão n.º 39/2002 do Tribunal Constitucional. Por este anulou-se, definitivamente, o PDM em vigor desde 1995. Nesse mesmo dia, a Câmara de Lagos deliberou «retomar o processo de elaboração do Plano Director Municipal, iniciando-se a partir desta data, todos os procedimentos necessários para o efeito».
Outro salto no tempo: 20 de Abril de 2010. Oito anos e dois meses depois,  ainda não há Plano Director Municipal em Lagos, nem se adivinha quando virá a haver.
Mas tão grave como hoje ainda não haver PDM é a ausência de explicações por parte do município para esse facto (pelo menos, segundo o meu conhecimento – e virei aqui retractar-me publicamente se estiver equivocado).
Lagos não tem hoje comunicação social local independente ou empenhada. Essa é uma das razões para que nem eu nem a larga maioria dos meus concidadãos esteja ou seja informada do que deveria e merecia saber, quer se trate do PDM, ou de quaisquer outros assuntos relacionados com a nossa Câmara.
Mesmo sem o apoio dos media locais que já não existem, penso que a Câmara poderia fazer mais e melhor em relação a tudo isto, uma vez que pior é impossível! E também pela minha certeza  e convicção ideológica de que a Democracia se constrói com diálogo, com apresentação de contas públicas e com clara clareza!
Perante este cenário negro e vergonhoso, «Profunda Desilusão» e «Amarga Decepção» é o me ocorre neste momento para convosco partilhar o que me magoa a alma e me fere o coração.

domingo, 18 de abril de 2010

«Mapa cor de rosa», por Álvaro Lourenço

«Passados que são meia dúzia de dias sobre as eleições legislativas, o título parece óbvio. 
Ao olharmos para os mapas do nosso País, inseridos na última revista do "Expresso", a cor rosa espalha-se por todo o sul, começando grosso modo a desbotar quando atingimos os contrafortes das Serras da Estrela e da Lousã para de novo se revelar na Beira Litoral e nas Terras do Demo, ainda que aqui mais esporadicamente.
O que podemos esperar realisticamente deste novo Governo que será empossado dentro de dias?
»
Álvaro Lourenço, professor na Escola Secundária Júlio Dantas, iniciou assim a sua colaboração na revista «Nova Costa de Oiro», em texto escrito poucos dias após a  vitória do Partido Socialista nas eleições legislativas.
Álvaro Lourenço, se não me falha a memória, é licenciado em Economia pela Universidade do Porto e já tinha colaborado, tal como eu, no programa «Entre bicas... Entre bocas», do Hélio José, na Rádio Atlântico Sul. É uma das pessoas com quem tenho muito prazer em conviver e com quem muito aprendi. Veio a ser eleito pela CDU à Assembleia Municipal de Lagos, onde se destacou como Deputado Municipal em intervenções de grande qualidade e nível. Infelizmente, há muito tempo (tempo demais) que não tenho o prazer de partilhar da sua companhia.
Hoje, acho que estou em condições de responder acertadamente à sua questão: «O que podemos esperar realisticamente deste novo Governo que será empossado dentro de dias?». NADA! NADA! NADA! Dos partidos do «centrão» (PS e PSD), quer no Poder Central ou no Local, hoje tal como em 1995, não podemos esperar nada mais do que  desemprego, crise, corrupção e devastação, como é evidente!
(recomendo a leitura integral do artigo de Álvaro Lourenço, na página 22 da primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro», que pode ser descarregada na ligação ao lado).

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vila-a-dentro, a Amizade escreve-se com A maiúsculo.

«O progressivo aumento de ocupação de via pública quer pelo multiplicar de esplanadas quer pela chamada venda ambulante tem, em Lagos e ultimamente, conferido aos que fazem desta cidade o seu local de vivência, uma impressão de descuido e total ignorância por parte do poder local, face a este fenómeno [...]».
Foi com este texto que Nuno Pedro Marques, estudante de Urbanismo no ISMAG, em Lisboa, em 1995, deu início à sua colaboração na revista «Nova Costa de Oiro».
Conheço e sou amigo do Nuno desde que me lembro. As nossas famílias já eram amigas antes de termos nascido. E eu, tal como ele, nasci na casa dos seus avós maternos, na Rua Silva Lopes, naquela a que ainda hoje chamo a «minha rua».
Na década de 80, fizemos em conjunto um programa na rádio «Atlântico Sul» intitulado «Manobras Nacionais» (com genérico musical de Nuno Rebelo e Madredeus, editado pelo Ricardo Soares), onde apresentávamos bandas e grupos da então chamada «Música Moderna Portuguesa».
Mais tarde organizámos por iniciativa do Nuno um fórum a que também chamámos «Vila-a-dentro – a cidade e os jovens», do qual falarei detalhadamente quando essa notícia surgir nas edições 8 e 16 da «Nova Costa de Oiro».
Politicamente situamo-nos em campos opostos, como é público. Não obstante, falamos, discutimos, esgrimimos argumentos, aberta e frontalmente, com elevação e algumas «picardias» naturais.
Em Lagos, Vila-a-dentro, a Amizade escreve-se com A maiúsculo.
«[...] A busca do tão falado turismo de qualidade não passa para já, de uma parca ilusão [...]», Nuno Marques, Outubro de 1995, opinião que era então a minha e que hoje se mantém cada vez mais firme!
(pela sua espantosa actualidade, recomendo a leitura do artigo do Nuno Marques, na página 8 da edição 1 da «Nova Costa de Oiro»).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Gralhas

Há um provérbio muito, muito antigo (pois remonta, pelo menos, a 27 de Outubro de 1995 -precisamente o dia em que a revista «Nova Costa de Oiro» apareceu ao público-) que diz o seguinte: «Uma revista sem “gralhas” é como um jardim sem flores».
As «gralhas», no sentido que pretendo hoje abordar e para quem esteja menos familiarizado com a expressão, são «letras invertidas ou palavras trocadas, etc., na composição». Não são os pássaros  conirrostros, da família dos corvos, mas mais pequenos, que ouvimos crocitar pelos campos. As «gralhas» de que falo hoje são, na verdade, o pior pesadelo do «chefe de redacção» e dos revisores de texto (isto, não obstante as dezenas de leituras feitas dos textos que iriam ser publicados e da ajuda da informática).
O que é certo é que essa «passarada» negra aterrou no «quintal» da nossa revista e nunca mais me largou enquanto fui jornalista. Mal sabia eu então, em finais de Outubro de 1995, que emboscado e camuflado, um caçador munido de arma poderosa se preparava para dar caçada a essa passarada agoirenta e que eu iria apanhar umas chumbadas por ricochete. Só por alturas da nossa terceira edição soube que assinava como «Nubelim, caçador de gralhas e de sonhos» (seria uma referência a  «Constantino, guardador de vacas e de sonhos», de Alves Redol?), que era e é um bom amigo, meu antigo professor do 10º e 11º anos na Gil Eanes. Para mais, foi ele quem me ensinou a fazer as correcções de texto num livro, aquando da paginação/edição de «Barlavento entre amor  e mar», da autoria de Hélio Xavier.
Quem seria este Nubelim, caçador de tiro certeiro e de fino humor? Este é um «mistério» que irá ser desvendado em breve...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Carlos Abreu, «o outro lado» do engenheiro Pimenta (1ª parte)

«Finalmente, a "Costa d'Oiro renasceu, não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens, mas a Revista, que durante as décadas da Belle Époque foi lida avidamente pelos lacobrigenses, não só por aqueles que aqui viviam, mas principalmente por aqueles que lá fora, em Lisboa, no Porto, em Angola ou em Timor sentiam saudades maiores da sua terra natal. A época era bem diferente, Lagos era uma cidade de lacobrigenses e de militares [...]».
Foi desta forma que Carlos Abreu deu início à sua coluna intitulada «Reflexões» em Outubro de 1995, participação regular que manteve até mesmo após  o seu falecimento (Outubro de 1999). Em texto que nos tinha deixado e que publicámos postumamente na edição de Dezembro de 1999 («Nova Costa de Oiro», n.º 32), acrescentámos então: «NR: É com profunda emoção que damos à estampa a derradeira colaboração que Carlos Abreu nos entregou, escassos dias antes de falecer.
No vazio insubstituível da sua ausência, ficam expressos conceitos e ideias que nos devem levar a pensar sobre o nosso humilde papel nesta Terra».
No seu blogue «Promontório da Memória» (nesta ligação) o insigne cidadão algarvio e distinto académico Professor Doutor Vilhena Mesquita apresentou a biografia de Carlos Abreu. Eu não tenho o engenho, nem o dom ou a veleidade de acrescentar alguma mais-valia a esse texto. Só poderei falar de Carlos Abreu, o «outro lado» do engenheiro Pimenta por via do coração, que é caminho traiçoeiro como se sabe. Só poderia falar da sua esmerada educação, a que fez com que nunca tivéssemos discutido ou esgrimido convicções, embora nos situássemos em campos opostos por via das nossas matrizes ideológicas. Poderia falar do seu fino humor (quase me atreveria a classificá-lo de «britânico», mesclado com alguma «brejeirice» bem portuguesa -ele e eu admiradores de José Vilhena-, para desagrado aparente -teatral?!?- da senhora sua esposa), do nosso benfiquismo, para suposta má cara do Hélio José - sportinguista. E de dois dos seus livros, que tive a honra e o prazer de paginar (se não estou em erro).
Carlos Abreu  «o outro lado» do engenheiro Pimenta: este é um capítulo que não encerrarei para já, pois a sua ausência e a sua memória não o merecem. Assim tenha eu saúde para que o possa recordar aqui, nesta «Nova Costa de Oiro» renascida («não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens», Valentim Rosado e Júlio Barroso, acrescento eu hoje - destruição que ele já não vai ver).

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A primeira capa da «Nova Costa de Oiro»

A primeira capa (e contra-capa) da revista «Nova Costa de Oiro» bem como o seu logótipo inicial foram feitas pela Lucinda Correia, a pedido do Hélio José.
Em 1995, a Lucinda tinha feito uma exposição de pintura a que chamou «À deriva», estudava Arquitectura na ESBAL, curso que veio a terminar e é a profissão que exerce actualmente, em Lisboa.
Se bem me lembro, o Hélio pretendia que a imagem tivesse um barco a zarpar do porto (o nosso?) e que a Costa de Oiro, que tinha sido imortalizada entre outros por pintores como Falcão Trigoso, estivesse bem visível. Também pretendia que o logótipo inicial representasse a «juventude» da revista. Passado algum tempo, este foi substituído por outro, que encima este blogue.
Quinze anos depois, parte da Costa de Oiro está prestes a desaparecer para dar lugar a um empreendimento  turístico-imobiliário que não deveria ser construído e a Lucinda faz parte de um enorme grupo de jovens lacobrigenses que foram estudar para outras terras e que não encontraram qualquer razão para voltarem à sua terra natal, contribuindo dessa forma para a riqueza da nossa. Eles são muitos, a exercerem cargos de relevância em muitas áreas (saúde, educação, design, tecnologia, etc), mas só cá voltam para as férias. Encontramo-nos na rua ou no mercado, metemos a conversa em dia mas quase que sinto (será imaginação minha?) que eles já não encontram na Lagos de 2010 a magia que a nossa cidade tinha quando éramos jovens.
(para ler e recordar a Lucinda na página 21 da primeira edição da «Nova Costa de Oiro», que pode ser descarregada ao lado em PDF.)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Publicidade

A feitura de uma revista como era a «Nova Costa de Oiro», 26 páginas, com alguns planos a cor, com papel couché mate (ou de um jornal qualquer que podemos comprar)  acarreta custos muito elevados.
Há salários a serem pagos, há custos com fotografias (recordo que em 1995 as fotografias eram reveladas, pois não dispúnhamos de máquinas digitais, que hoje são banais), há telefones, há cassetes para gravação das entrevistas e há os elevados custos de distribuição e de impressão. Com o preço de capa de 300$00 (cerca de 1,5€), mesmo que todos os exemplares fossem vendidos, a receita daí arrecadada não permitiria suportar todos os custos. Daí, que a publicidade tenha sido (como hoje ainda o é) fundamental para que se possa produzir um jornal ou uma revista.
Na nossa primeira edição foram as seguintes as empresas que participaram e nos ajudaram com publicidade: Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Barlavento Algarvio, Frilagos, Lacoarte, Urbanização Ponta da Gaivota, Informédia, José d'Abreu & Fls, Lda, Câmara Municipal de Lagos, Talho do Custódio, Gouveia Informática, Lda, Padaria Central, Lacogeste e Restaurante Piri-Piri.
Quinze anos volvidos e correndo o risco de ser injusto de alguma forma tenho hoje a amarga sensação de que o tecido empresarial e comercial lacobrigense nunca ajudou empenhadamente não só o nosso projecto, nem outros que existiram e que desapareceram, entretanto. É com um sentimento de pesar que o constato pois, como tal como em 1995, hoje ainda continuo a acreditar que uma sociedade bem informada é uma sociedade melhor, o que não se verifica em Lagos no ano de 2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ficha Técnica da Nova Costa de Oiro nº 1

O primeiro número da revista «Nova Costa de Oiro», que foi apresentada publicamente no «Amuras» - Marina de Lagos, no dia 27 de Outubro de 1995, Dia da Cidade de Lagos, apresentava na sua Ficha Técnica os seguintes nomes:
Director: Hélio José - Chefe de Redacção: Carlos Mesquita - Produção: Fernanda Carmo - Informática: Carlos Mesquita - Colaboradores: Ana Balmori, Álvaro Lourenço, Carlos Abreu, Hélio Xavier, Joaquim Marreiros, José António Martins, José Neto Cabrita, Nuno Marques, Rui Mateus, Silvestre Ferro.
Paginação e Composição: Nova Costa de Oiro -  Impressão: Litográfica do Sul S.A. - Marketing: Hélio José e Carlos Mesquita - Editor: Hélio José - Redacção e Administração: Rua Dr. Joaquim Tello n.º 10, 8600 Lagos - N.º de Depósito Legal: 9235/95 - Propriedade: Hélio do Carmo José.
A leitura desta Ficha Técnica merece-me algumas considerações.
Há dois nomes que me despertam  imediata atenção: o de Carlos Abreu (João Carlos Telo Baptista de Abreu Pimenta) e o de José Neto Cabrita. Foram dois amigos desde a primeira hora na feitura da «Nova Costa de Oiro», mas que hoje já não se encontram entre nós. A eles dedicarei a posterior atenção que a sua memória me merece.
Depois, o facto de a «Nova Costa de Oiro» dispor de um grupo de colaboradores de mais alto nível (alguns um pouco mais velhos e experientes), outros mais jovens. Entre estes, dois amigos de sempre: o Rui Mateus e o Nuno Marques. Independentemente de politicamente nos encontrarmos em campos opostos, e de sermos adversários leais, foram e têm sido sempre de uma amizade inquestionável!
De outros colaboradores (e dos que vão aparecer em futuras Fichas Técnicas), dos seus excelentes contributos, da cumplicidade e da amizade que se forjou entre nós, também espero ir dando conta brevemente.
Ah, Carlos! És uma pessoa de sorte, por teres convivido com toda esta gente maravilhosa! E por os teres como amigos!

sábado, 3 de abril de 2010

Costa de Oiro e Nova Costa de Oiro

Em 27 de Outubro de 1995 (Dia da Cidade de Lagos) foi apresentado o primeiro número da revista «Nova Costa de Oiro».
Foi intenção do Hélio José, que sonhou esse sonho no qual embarquei de corpo e alma, que esse novo órgão de comunicação social lacobrigense tivesse uma ligação sentimental  a uma outra revista que tinha aparecido na nossa cidade em meados da década de 30, do século XX: a Costa de Oiro (da qual reproduzo a primeira capa ao lado).
O nosso inestimável colaborador Hélio Xavier emprestou-nos a sua valiosa colecção «Costa de Oiro» e, dessa forma, deu-nos a oportunidade de lermos e de consultarmos demoradamente essa bela revista. Ao longo de alguns meses, reproduzimos nas páginas da «Nova Costa de Oiro» algumas da nossa antecessora. Curiosamente, constatámos que muitos artigos publicados na década de 30 mantinham actualidade e pertinência e eram merecedores da máxima atenção.
Também o foram os ensinamentos de José Xavier, glória do futebol local (o «velho Leão», como gosto de o chamar com todo o carinho e respeito) e que havia sido tipógrafo da «Costa de Oiro» no tempo em que não havia computadores para ajudarem na paginação e essa era tarefa de «artistas» como ele.
Para terminar, estas notas: a primeira para dar conta que Hélio Xavier tem em preparação um livro/compilação com textos da sua autoria publicados na «Nova Costa de Oiro», segundo me confidenciou (e espero não estar a trair agora nem a sua confidência nem a sua confiança...). Gostaria de acrescentar que o seu primeiro livro «Barlavento entre amor e mar» foi o primeiro que tive o prazer e a honra de paginar (experiência que conto recordar brevemente). 
Gostaria de acrescentar que a revista «Costa de Oiro» também está aqui disponível para quem dela quiser desfrutar, pela cortesia do autor amigo do blogue Vila do Bispo Fotos Antigas, a quem pedi e me deu permissão para o fazer.
Por último: lastimo hoje e agora que Lagos (que já teve excelentes órgãos de Comunicação Social) seja actualmente um «deserto» a este nível.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pedido de desculpas e escrita em dia

Adoro viver em Budens. No entanto, nunca me tinha passado pela cabeça que numa aldeia como esta, tão perto de Lagos ou de outras zonas «desenvolvidas» do nosso país, certas «coisas» pudessem acontecer. Isto,  num país que se reclama desenvolvido e avançado.
Aqui, as interrupções no fornecimento de energia eléctrica são uma constante e temos que viver com elas. Basta chover umas «pinguinhas» e deixa de haver «luz». Melhor, ela vai e volta, várias vezes num minuto. Mas, no entretanto, algum dos equipamentos eléctricos acabou por avariar. No meu caso, foi «apenas» a máquina do café, uma TV Samsung e várias lâmpadas de halogéneo e incandescentes. Quem também não tem apreciado a incapacidade da EDP foi o PC. O sistema operativo Linux/Ubuntu «passou-se» e nunca mais foi o mesmo até agora, o cabo de ligação USB à máquina fotográfica acabou por ir parar ao lixo, o router D-Link avariado foi devolvido ao ISP e substituído por outro. Para além disso,  o scanner HP ardeu (literalmente). Sem scanner nem máquina fotográfica e com receio de que pudesse acontecer algo semelhante ao PC, o seu tempo de utilização foi minimizado ao imprescindível (apenas email e facebook).
Trouxe de Lagos na passada semana o scanner que era de meu pai. Espero agora que com ele consiga digitalizar a «Nova Costa de Oiro» e manter actualizado este espaço. Se a EDP mo permitir...
(Fica o pedido de desculpas pela ausência de actualizações. E gostaria de acrescentar o seguinte: o mau serviço da EDP levou-nos a mascarar de «apagão» no Carnaval de Sagres, imagens que podem ser vistas no blogue Vila do Bispo Fotos antigas).

domingo, 8 de novembro de 2009

Porquê? Para quê? Porquê agora? Como?

Após uma breve ausência motivada por várias situações de ordem pessoal e profissional, a que se juntou a migração do sistema operativo da Microsoft para o fabuloso Linux Ubuntu 9.10, e a aprendizagem necessária nessa plataforma informática nova para mim, estou de volta a este espaço. Peço desculpa pela ausência forçada mas, com todos os assuntos aparentemente bem encaminhados, tentarei vir aqui com mais assiduidade.
Após a publicação das duas primeiras postagens aqui feitas, alguns amigos que tiveram a gentileza de as ler, dirigiram-se-me com algumas dúvidas. Porquê fazer este blogue? E porquê agora? Como seria este espaço? O que iria ter? Seria apenas a reedição da revista Nova Costa de Oiro, ou esta iria renascer em formato digital?
A eles e a outros tentarei responder hoje.
Porquê? Acima de tudo por razões de ordem pessoal.
Como penso que saibam, infelizmente, passei parte substancial dos dois últimos anos a acompanhar o meu pai, em hospitais. Esses locais e a convivência que neles existe entre os doentes afectados por variadas doenças e muito particularmente entre os que sofrem de doenças prolongadas (cancro, neste caso) e os seus familiares é muito intenso. Muitas vezes, durante dias,  as pessoas recordam o seu passado, o que fizeram e o que ficou por fazer. E sonham... Sonham com a sua recuperação e o muito que ainda têm que fazer e para viver.
Nem sempre esses sonhos se concretizarão, mas desse período de angústia resultaram algumas conclusões. Entre elas, a de que não nunca é cedo demais para deixarmos o nosso contributo público no relato das nossas experiências e da nossa vida, enquanto estamos vivos. Sim, enquanto estamos vivos, por que depois... isso já não será possível.
Porquê? Porque ao arrumar o meu modesto arquivo na aldeia onde agora vivo conclui que é um desperdício ele só estar ao meu serviço e ao meu dispor. Porque não o poderia partilhar com quem o quisesse consultar?
Porquê? Para dessa forma prestar a minha homenagem às muitas pessoas com quem tive o prazer de colaborar na feitura da revista Nova Costa de Oiro, pessoas essas que muito me ensinaram e a quem muito devo. Ou seja, esta será a minha forma de lhes pagar a minha dívida de gratidão.
Para quê? Porque sinto algum prazer em comparar a nossa cidade tal como ela era em 1995 – ano em que surgiu a Nova Costa de Oiro (bem como o que diziam os vários agentes de então) com a realidade que se vive hoje. E por que acho que esse é um exercício necessário de cidadania.
É imprescindível sabermos de onde viemos, para compreendermos onde estamos. Não advogo a crítica não assinada em blogues, embora entenda as motivações que podem levar a esse caminho. O facto é que vivemos em Liberdade e que temos Liberdade para exprimir as nossas opiniões, assinando-as e dando a cara. E é também verdade que ao compararmos o que se dizia ou fazia em 1995 com os nossos dias podemos fazê-lo de uma forma crítica sobre os acontecimentos. Nesse sentido, embora este blogue seja uma reposição da revista Nova Costa de Oiro, poderá vir a ser uma “nova vida” dessa publicação. É isso que pretendo.
Porquê agora? Porque amanhã pode ser tarde demais, em primeiro lugar. Mas também pelo facto de ter assistido ao encerramento recente de alguns órgãos de comunicação social do nosso concelho, situação em que encontro algum paralelismo com o vivido quando a Nova Costa de Oiro fechou portas.
Como? Tenciono disponibilizar a revista no blogue coincidindo com a data em que foi publicada originalmente. Sempre que me for possível, destacarei alguns textos publicados, deles fazendo uma leitura actualizada dos mesmos e de algumas situações que se vivem agora. Paralelamente, pretendo contar algumas «estórias» relacionadas com cada edição e com a feitura de determinadas «peças» que não teriam cabimento para publicação então, mas que constituem as minhas recordações.
De vários amigos recebi palavras de incentivo, que agradeço. E também a disponibilidade para colaboração neste espaço da Nova Costa de Oiro agora «renascida» neste contexto. Para eles, basta que mo digam e eu disponibilizarei o acesso para que possam fazer as postagens que entenderem.
É por aqui que vou. No sonho. Também neste sonho.