domingo, 1 de setembro de 2019

Revisitar memórias

Setembro é mês de regressos. De regressos após as férias (para quem as teve!), às rotinas laborais e à escola para milhares de estudantes. Setembro é o mês do Equinócio de Outono (que se assinala dia 23), os dias mais frios e cinzentos que já anunciam o Inverno, a queda das folhas das árvores. E de se escutar, uma e mais uma vez, a maravilhosa composição «As Quatro Estações - Outono», de Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 4 de Março de 1678 — Viena, 28 de Julho de 1741).
Setembro é e sempre foi, para nós, o mês dos regressos, se revisitarem memórias, alguns locais e amigos (vários já desaparecidos do nosso convívio, mas nunca esquecidos). E este foi também, para nós, o tempo que escolhemos para voltarmos à «nossa» velha Escola Secundária Gil Eanes, nas Freiras, de calcorrearmos os seus corredores e de aí recordarmos, em silêncio, colegas (amigos, muitos!), professores e funcionários. Nostalgia? Bastante, certamente! E, também, um «nó apertado na garganta», que se tentará disfarçar...
Na edição 29 da nossa revista, publicada em Maio-Junho de 1999, estivemos na Meia-Praia, na «Arte» da pesca, com o nosso amigo José Santos e muitos outros que a seu lado lutavam para que a continuidade dessa forma de pescar tradicional se perpetuasse no tempo. Agora, em 2019, voltámos em reportagem ao seu convívio e ao de um grupo que se alargou... Mais uma memória revistada...
E é neste Setembro e Outono anunciados, em Lagos, que recordamos as luminosas palavras da eterna Sophia:
«Na luz de Lagos matinal e aberta
Na praça quadrada tão concisa e grega
Na brancura da cal tão veemente e
directa
O meu país se invoca e se projecta».

Desfrutai, pois, as próximas páginas.
 
Carlos Mesquita
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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Agosto a gosto?


Ano após ano, quando chega o mês de Agosto, escuta-se um pouco por toda a cidade a mesma lamúria: «Nunca mais chega Setembro, para termos alguma tranquilidade...».
Segundo a PORDATA, em 2017, residiam 30.629 pessoas no município de Lagos. De acordo com esta plataforma, os estabelecimentos hoteleiros do concelho acolheram, então, 277.665 visitantes.
Presume-se que este número peque por defeito, uma vez que muitos visitantes se instalam em alojamentos locais ou em casas de amigos e de conhecidos. No entanto e perante os dados disponíveis, percebe-se que a população presente no território é cerca de 9 vezes mais por ano do que a residente. E dada a sazonalidade da ocupação, constata-se que é no Verão e em Agosto, em particular, que há o maior números de visitantes ao concelho lacobrigense.
Como resultado dessa avalanche humana e que na sua maioria tem baixo poder económico, acontecem as filas automóveis em direcção às praias, aos restaurantes e aos estabelecimentos locais. Torna-se difícil andar nas ruas superlotadas e há muito ruído. Aumenta o lixo e a sujidade impera por todo o lado.
Por um lado, se para muitos residentes de Lagos, Agosto é um mês pouco agradável para se estar e se viver, por outro, para os muitos que dependem do turismo para trabalhar e sobreviver, se não fosse o elevado afluxo de visitantes seria o desemprego certo e garantido...
Recordamos a frase de amigo de longa data, antigo proprietário de um restaurante da Rua da Barroca, que perante o descontentamento dos clientes impacientes pela demora no atendimento, ia repetindo: «Se querem ser bem recebidos, venham cá no Inverno...».
Será Agosto um mês verdadeiramente a gosto? Ou de triste desgosto?
Carlos Mesquita



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segunda-feira, 1 de julho de 2019

O regresso



A revista «Nova Costa de Oiro» foi apresentada publicamente em 27 de Outubro de 1995, dia da Cidade de Lagos, no «Amuras», na Marina da nossa terra.
Nasceu pela vontade e pela persistência do Hélio [Custódio do Carmo] José, conforme se recorda no editorial que publicou nessa data, e que se reproduz: «Sobretudo a Revista “Nova Costa de Oiro” é um projecto para intervenção e opinião da sociedade civil, será um veiculo de culturas e tendo como principal objectivo servir e defender os lacobrigenses», escreveu.
Passou por várias fases e por muitas dificuldades. Mas também deu muitas alegrias a quem a fez, com profissionalismo, com empenho, servindo e defendendo Lagos e os lacobrigenses, sempre.
Foram publicados 32 números, o último em Dezembro de 1999, na sequência do trágico falecimento do então seu proprietário, [José Joaquim Lopes de] Figueiredo Luís.
Embarquei neste sonho do Hélio desde o primeiro momento, tendo exercido as funções de Chefe de Redacção e, no seu fim, de Director Geral, só interrompido por razões de saúde familiar.
Agora, quase 20 anos depois de ter terminado, a «Nova Costa de Oiro» está de volta a Lagos e acessível aos nossos concidadãos. O nosso objectivo? Claro que será o de servir e defender os lacobrigenses, como era o nosso propósito em 1995 e o rumo do qual nunca nos afastámos.
A «Nova Costa de Oiro» será uma revista dos nossos dias, dos tempos em que vivemos, digital, usando os recursos tecnológicos actuais e as redes sociais.
Até Outubro deste ano, iremos centrar-nos, essencialmente, na recordação de textos publicados e dos seus autores, alguns já desaparecidos do nosso convívio.
Desfrutai!
Carlos Mesquita

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Futuro de um Regresso

«A Inquietação - que não ansiedade- que sentimos até à publicação do N° 1 da Nova Costa de Oiro, "aquietou-se" um tanto mais porque o nosso primeiro objectivo tinha sido alcançado e descrito no primeiro Editorial: o N° 1 era uma edição Especial, muito ligada e à volta da cidade que viu nascer, noutras épocas, outra Costa de Oiro e que a ela estávamos ligados umbilicalmente e vamos continuar a estar. […]
Por isso criámos o nosso Estatuto, assumimos a nossa razão social, estamos na mais perfeita legalidade e só temos motivos de Inquietação, agora, por TUDO isso de ERRADO que nos circunda, pelo flagelo da violência incontida que grassa pelo Mundo e pela irónica posição que a guerra das audiências nos obriga diariamente a Sermos CADA vez mais Indiferentes.
Não queremos trilhar esses caminhos porque sendo Sonhador, deixem-me pensar que vale a pena este Sonho, de hoje e para o Futuro sem receios do passado».
Este texto foi parte do segundo editorial da revista «Nova Costa de Oiro», apresentada publicamente em Novembro de 1995, assinado pelo Hélio José, seu fundador e Director. Dele retenho esta passagem: «só temos motivos de Inquietação, agora, por TUDO isso de ERRADO que nos circunda [...]».
Já passaram mais de 15 anos sobre estas palavras. Mas actualmente, como então, continuo a partilhar este pensamento. Não me sai da cabeça tudo isso de errado que nos circunda. Hoje sinto-me tão traído como nessa época na persistência do «ERRO» por aqueles que julguei incapazes de traírem todos e quaisquer valores, embora o tenham feito sem pudor. Enganei-me. Lamento-o!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A primeira Redacção da «Nova Costa de Oiro»

A primeira Redacção e Administração da revista «Nova Costa de Oiro» localizava-se na Rua Dr. Joaquim Tello, n.º 10 - 1, em Lagos. Embora a  sua porta de entrada estivesse localizada nessa artéria, uma das janelas «dava» para a apelidada Rua Direita (por ser direita à Igreja, segundo José Paula Borba me explicou), que é a Rua 25 de Abril e que anteriormente à Revolução de 1974 teve o nome do ditador Salazar.
Esse edifício pertencia então ao Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos (CASLAS) e em 1995 já se encontrava bastante degradado. Há relativamente pouco tempo foi demolido e hoje está a nascer ali um prédio novo, para deleite dos que gostam de ver a cidade que amam bonita como deveria ser, mas não o é.
A Redacção de um órgão de comunicação desempenha um papel fundamental e central na sua vida. Ela é local de trabalho, acima de tudo. Mas é, também, o ponto de encontro dos colaboradores e do convívio imprescindível e saudável entre estes e aqueles que o fazem. 
Dos colaboradores recebemos aí muitos incentivos ao nosso trabalho. Algumas críticas construtivas, igualmente. Passámos aqui horas desejando ardentemente a cama que nos chamava, ao telefone, ao computador, a ler e a reler textos, a corrigi-los, a transcrever gravações. Mas não me recordo de alguma vez termos discutido com ardor ou rancor nesse espaço de trabalho e de confraternização!
Em 1995, a nossa Redacção nesta casa «velha» era um local de vida a nascer!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nova Costa de Oiro, n.º 2

Em Novembro de 1995, surgiu o segundo número da revista «Nova Costa de Oiro».
Na capa, em destaque, ainda com o logótipo criado pela Lucinda Correia, apresentámos uma fotografia da autoria de João Filgueiras, por cortesia da revista «Caras».
Na imagem maior, à esquerda, está o Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança acompanhado por sua esposa, Senhora Dona Isabel de Herédia. O pretendente ao Trono de Portugal deslocar-se-ia por esses dias a Lagos, a convite do Rotary Club de Lagos, ao Hotel Golfinho, num convívio de carácter humanitário que a nossa revista acompanhou por amabilidade do nosso colaborador Carlos Abreu. Desse momento vos darei mais pormenores brevemente.
Em fotografia mais pequena, no canto inferior direito da nossa capa está o José Manuel Freire. As duas páginas centrais da «Nova Costa de Oiro» (10 e 11) foram elaboradas a partir de uma entrevista a esse vereador eleito pela CDU e que nessa data já tinha cerca de 20 anos de eleito ao serviço do Poder Local saído da Revolução de Abril.
O que o José Manuel Freire disse em Novembro de 1995 à «Nova Costa de Oiro» reflectia as preocupações que então se viviam em Lagos ao nível do ambiente, dos espaços verdes e dos serviços urbanos, pois era esse o seu pelouro. Parte delas foram resolvidas, entretanto. Outras, ainda não. O seu raciocínio, a sua capacidade de análise e o seu empenho politicamente honesto e desinteressado merecem que relamos com a máxima atenção as duas páginas da sua entrevista ao «Entre bicas... Entre bocas».
[Não tem nada a ver com o que digo acima, mas segundo percebi, foi este mesmo José Manuel Freire, agora deputado municipal eleito pela CDU, impedido de intervir na última Sessão Comemorativa do 25 de Abril, em Lagos. Deve haver uma boa explicação para tal, pois ultimamente há sempre alguém de responsabilidade que fornece boas explicações para as coisas mais bizarras que acontecem na Terra dos Fenómenos, perdão, dos Descobrimentos].

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Algarve não deteriorado

Na primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro» (Outubro 1995), o nosso colaborador Joaquim Marreiros escreveu o excelente texto seguinte: «Mesmo à entrada da “cidade da Costa D'Oiro”, a cidade que amo e onde vivo desde sempre, apareceu antes do Verão este cartaz publicitário de grandes dimensões […] (do «Parque da Floresta», localizado em Budens e meu vizinho).
De todas as vezes o cartaz fazia-me, com a teimosia própria dos cartazes, a mesma pergunta em inglês: “Onde é que está o Algarve não deteriorado?”, mas que em português, entalado entre dois idiomas provavelmente dominantes, assumia a forma envergonhada de “verdadeiro Algarve. […]
Passados todos estes meses ainda não me habituei à frase, bem pelo contrário, só que a verdadeira raiva que senti ao vê-la pela primeira vez, devo confessá-lo, conduziu-me à seguinte reflexão: como é que se chega ao ponto de se utilizar a descaracterização duma região como imagem promocional dela própria
Passados 15 anos eis uma reflexão que mantém toda a actualidade e pertinência. Mas, hoje, posso responder com mais certezas do que então à pergunta do Joaquim: o Algarve não deteriorado não é no sítio publicitado no cartaz e meu vizinho da frente, nem no aldeamento da responsabilidade da mesma empresa na Boca do Rio, nem o da Praia do Martinhal. Mas no concelho da Vila do Bispo, onde agora vivo, está em quase todo o lado.
O mesmo já não posso dizer de Lagos, onde todo o litoral do concelho está deteriorado e foi destruído, o que me provoca verdadeira raiva.

domingo, 25 de abril de 2010

Celebramos 25 de Abril, «Dia da Liberdade»

Somos muitos, somos milhares, os que hoje celebramos de alma limpa e de coração aberto 25 de Abril, «Dia da Liberdade». 
A todos, une-nos a convicção da justeza dos nossos ideais e do que ainda falta fazer para se cumprir Abril.
É assim que celebramos «Abril» e tudo o que este representa!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

«Nova Costa de Oiro», ontem, hoje, eu, nós

Os primeiros tempos desta «Nova Costa de Oiro», que agora tem o seu lar num mundo virtual, ao contrário da de 1995 que era feita em papel, não têm sido propriamente fáceis.
Já relatei anteriormente as dificuldades que enfrentei a nível informático e que resultaram de sucessivas avarias de equipamentos por falha da EDP (minhas é que não foram, de certeza!).
Depois, por que estive muito tempo sem escrever e fui perdendo ritmo, inspiração, criatividade, vocabulário. Se o meu amigo José Vieira Calado («velho Mestre», cuja amizade muito prezo) não me tivesse dado umas valiosas instruções relativamente a este «Novo Mundo dos Blogues», ter-me-ia sido ainda muito mais difícil estar aqui.
Mas não foi só dele que recebi palavras de incentivo e de ajuda. António Guimarães, Nuno Marques,  Cristiano Cerol, Lucinda Correia, Miguel Velhinho, João Velhinho, José Alberto Baptista, JAAL, Rui, Miguel Velhinho, Liliana Miranda, Calitas, Deda, Hélio Xavier, Verodito Cascas, Vilhena Mesquita, Roberta Dias (vou esquecer-me de alguém sem perdão, e serei chamado à atenção, com razão...) têm-me ajudado. E o Hélio José, é claro!
Ao dar início a este projecto, eu pretendia não só partilhar o espólio da «Nova Costa de Oiro» com os meus concidadãos, como também contar «histórias paralelas» e que nunca foram reveladas relacionadas não só com os respectivos autores, como também com as «peças» por eles publicadas. Mas a verdade é que pela minha maneira de ser tenho uma grande dificuldade (inquietação!) em evitar comparar Lagos em 1995 (e até ao fim da «Nova Costa de Oiro» - Dezembro de 1999), com Lagos em 2010. Irá isso desvirtuar a minha ideia inicial? Creio que sim! Mas não o lamento!
Lagos é uma cidade centenária e não irá «morrer» após a minha morte e subsequente cremação, nem após a dos meus contemporâneos ilustres eleitos locais. Hoje, estou vivo! Sou cidadão português, nascido em Lagos, e acho que não me devo abster de participar da vida da minha cidade. Nem de comparar ontem com hoje. De opinar. De criticar. De sugerir. De errar. De contribuir assim para que tenhamos uma vida melhor, segundo os meus valores e ideologia política (por muito equivocado que eu possa estar e por muito condenável que seja esta minha ideia!).
Por estas razões, que me me são raiz e porto de abrigo, gostaria de pedir aos que foram colaboradores da «Nova Costa de Oiro» e a todos os outros que nunca o foram, meus concidadãos, que contribuam com textos ou de qualquer outra forma que entenderem para enriquecer este espaço.
A revista «Nova Costa de Oiro», em papel, fez-se com a ajuda de muita gente. Não poderá ser assim com  esta «virtual» «Nova Costa de Oiro»?.
Ontem. Hoje. Eu. Nós.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lagos e o PDM: pior é impossível!

Oito das 26 páginas da primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro» (27 de Outubro de 1995) foram uma «Separata Especial – Câmara Municipal de Lagos – Dia do Município».
Na página 14 dessa edição e integrada na Separata pode ler-se o seguinte: «...É abrangida pelo Plano Director Municipal (PDM) toda a área do concelho e todas as acções de intervenção pública ou privada que impliquem alterações de ocupação ou transformação do solo terão obrigatoriamente que respeitar as disposições do respectivo regulamento e da planta de ordenamento anexa. […] 
O PDM de Lagos visa concretizar uma política de ordenamento do território […] define princípios, regras de uso, ocupação e transformação do solo que consagrem uma utilização racional dos espaços e, finalmente, promove uma gestão criteriosa dos recursos naturais e culturais da área do município e garante a melhoria da qualidade de vida das populações».
Primeiro salto no tempo: em 20 de Fevereiro de 2002, sendo presidente da Câmara de Lagos Júlio Barroso, a vereação da autarquia tomou oficialmente conhecimento do Acórdão n.º 39/2002 do Tribunal Constitucional. Por este anulou-se, definitivamente, o PDM em vigor desde 1995. Nesse mesmo dia, a Câmara de Lagos deliberou «retomar o processo de elaboração do Plano Director Municipal, iniciando-se a partir desta data, todos os procedimentos necessários para o efeito».
Outro salto no tempo: 20 de Abril de 2010. Oito anos e dois meses depois,  ainda não há Plano Director Municipal em Lagos, nem se adivinha quando virá a haver.
Mas tão grave como hoje ainda não haver PDM é a ausência de explicações por parte do município para esse facto (pelo menos, segundo o meu conhecimento – e virei aqui retractar-me publicamente se estiver equivocado).
Lagos não tem hoje comunicação social local independente ou empenhada. Essa é uma das razões para que nem eu nem a larga maioria dos meus concidadãos esteja ou seja informada do que deveria e merecia saber, quer se trate do PDM, ou de quaisquer outros assuntos relacionados com a nossa Câmara.
Mesmo sem o apoio dos media locais que já não existem, penso que a Câmara poderia fazer mais e melhor em relação a tudo isto, uma vez que pior é impossível! E também pela minha certeza  e convicção ideológica de que a Democracia se constrói com diálogo, com apresentação de contas públicas e com clara clareza!
Perante este cenário negro e vergonhoso, «Profunda Desilusão» e «Amarga Decepção» é o me ocorre neste momento para convosco partilhar o que me magoa a alma e me fere o coração.

domingo, 18 de abril de 2010

«Mapa cor de rosa», por Álvaro Lourenço

«Passados que são meia dúzia de dias sobre as eleições legislativas, o título parece óbvio. 
Ao olharmos para os mapas do nosso País, inseridos na última revista do "Expresso", a cor rosa espalha-se por todo o sul, começando grosso modo a desbotar quando atingimos os contrafortes das Serras da Estrela e da Lousã para de novo se revelar na Beira Litoral e nas Terras do Demo, ainda que aqui mais esporadicamente.
O que podemos esperar realisticamente deste novo Governo que será empossado dentro de dias?
»
Álvaro Lourenço, professor na Escola Secundária Júlio Dantas, iniciou assim a sua colaboração na revista «Nova Costa de Oiro», em texto escrito poucos dias após a  vitória do Partido Socialista nas eleições legislativas.
Álvaro Lourenço, se não me falha a memória, é licenciado em Economia pela Universidade do Porto e já tinha colaborado, tal como eu, no programa «Entre bicas... Entre bocas», do Hélio José, na Rádio Atlântico Sul. É uma das pessoas com quem tenho muito prazer em conviver e com quem muito aprendi. Veio a ser eleito pela CDU à Assembleia Municipal de Lagos, onde se destacou como Deputado Municipal em intervenções de grande qualidade e nível. Infelizmente, há muito tempo (tempo demais) que não tenho o prazer de partilhar da sua companhia.
Hoje, acho que estou em condições de responder acertadamente à sua questão: «O que podemos esperar realisticamente deste novo Governo que será empossado dentro de dias?». NADA! NADA! NADA! Dos partidos do «centrão» (PS e PSD), quer no Poder Central ou no Local, hoje tal como em 1995, não podemos esperar nada mais do que  desemprego, crise, corrupção e devastação, como é evidente!
(recomendo a leitura integral do artigo de Álvaro Lourenço, na página 22 da primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro», que pode ser descarregada na ligação ao lado).

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vila-a-dentro, a Amizade escreve-se com A maiúsculo.

«O progressivo aumento de ocupação de via pública quer pelo multiplicar de esplanadas quer pela chamada venda ambulante tem, em Lagos e ultimamente, conferido aos que fazem desta cidade o seu local de vivência, uma impressão de descuido e total ignorância por parte do poder local, face a este fenómeno [...]».
Foi com este texto que Nuno Pedro Marques, estudante de Urbanismo no ISMAG, em Lisboa, em 1995, deu início à sua colaboração na revista «Nova Costa de Oiro».
Conheço e sou amigo do Nuno desde que me lembro. As nossas famílias já eram amigas antes de termos nascido. E eu, tal como ele, nasci na casa dos seus avós maternos, na Rua Silva Lopes, naquela a que ainda hoje chamo a «minha rua».
Na década de 80, fizemos em conjunto um programa na rádio «Atlântico Sul» intitulado «Manobras Nacionais» (com genérico musical de Nuno Rebelo e Madredeus, editado pelo Ricardo Soares), onde apresentávamos bandas e grupos da então chamada «Música Moderna Portuguesa».
Mais tarde organizámos por iniciativa do Nuno um fórum a que também chamámos «Vila-a-dentro – a cidade e os jovens», do qual falarei detalhadamente quando essa notícia surgir nas edições 8 e 16 da «Nova Costa de Oiro».
Politicamente situamo-nos em campos opostos, como é público. Não obstante, falamos, discutimos, esgrimimos argumentos, aberta e frontalmente, com elevação e algumas «picardias» naturais.
Em Lagos, Vila-a-dentro, a Amizade escreve-se com A maiúsculo.
«[...] A busca do tão falado turismo de qualidade não passa para já, de uma parca ilusão [...]», Nuno Marques, Outubro de 1995, opinião que era então a minha e que hoje se mantém cada vez mais firme!
(pela sua espantosa actualidade, recomendo a leitura do artigo do Nuno Marques, na página 8 da edição 1 da «Nova Costa de Oiro»).

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Gralhas

Há um provérbio muito, muito antigo (pois remonta, pelo menos, a 27 de Outubro de 1995 -precisamente o dia em que a revista «Nova Costa de Oiro» apareceu ao público-) que diz o seguinte: «Uma revista sem “gralhas” é como um jardim sem flores».
As «gralhas», no sentido que pretendo hoje abordar e para quem esteja menos familiarizado com a expressão, são «letras invertidas ou palavras trocadas, etc., na composição». Não são os pássaros  conirrostros, da família dos corvos, mas mais pequenos, que ouvimos crocitar pelos campos. As «gralhas» de que falo hoje são, na verdade, o pior pesadelo do «chefe de redacção» e dos revisores de texto (isto, não obstante as dezenas de leituras feitas dos textos que iriam ser publicados e da ajuda da informática).
O que é certo é que essa «passarada» negra aterrou no «quintal» da nossa revista e nunca mais me largou enquanto fui jornalista. Mal sabia eu então, em finais de Outubro de 1995, que emboscado e camuflado, um caçador munido de arma poderosa se preparava para dar caçada a essa passarada agoirenta e que eu iria apanhar umas chumbadas por ricochete. Só por alturas da nossa terceira edição soube que assinava como «Nubelim, caçador de gralhas e de sonhos» (seria uma referência a  «Constantino, guardador de vacas e de sonhos», de Alves Redol?), que era e é um bom amigo, meu antigo professor do 10º e 11º anos na Gil Eanes. Para mais, foi ele quem me ensinou a fazer as correcções de texto num livro, aquando da paginação/edição de «Barlavento entre amor  e mar», da autoria de Hélio Xavier.
Quem seria este Nubelim, caçador de tiro certeiro e de fino humor? Este é um «mistério» que irá ser desvendado em breve...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Carlos Abreu, «o outro lado» do engenheiro Pimenta (1ª parte)

«Finalmente, a "Costa d'Oiro renasceu, não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens, mas a Revista, que durante as décadas da Belle Époque foi lida avidamente pelos lacobrigenses, não só por aqueles que aqui viviam, mas principalmente por aqueles que lá fora, em Lisboa, no Porto, em Angola ou em Timor sentiam saudades maiores da sua terra natal. A época era bem diferente, Lagos era uma cidade de lacobrigenses e de militares [...]».
Foi desta forma que Carlos Abreu deu início à sua coluna intitulada «Reflexões» em Outubro de 1995, participação regular que manteve até mesmo após  o seu falecimento (Outubro de 1999). Em texto que nos tinha deixado e que publicámos postumamente na edição de Dezembro de 1999 («Nova Costa de Oiro», n.º 32), acrescentámos então: «NR: É com profunda emoção que damos à estampa a derradeira colaboração que Carlos Abreu nos entregou, escassos dias antes de falecer.
No vazio insubstituível da sua ausência, ficam expressos conceitos e ideias que nos devem levar a pensar sobre o nosso humilde papel nesta Terra».
No seu blogue «Promontório da Memória» (nesta ligação) o insigne cidadão algarvio e distinto académico Professor Doutor Vilhena Mesquita apresentou a biografia de Carlos Abreu. Eu não tenho o engenho, nem o dom ou a veleidade de acrescentar alguma mais-valia a esse texto. Só poderei falar de Carlos Abreu, o «outro lado» do engenheiro Pimenta por via do coração, que é caminho traiçoeiro como se sabe. Só poderia falar da sua esmerada educação, a que fez com que nunca tivéssemos discutido ou esgrimido convicções, embora nos situássemos em campos opostos por via das nossas matrizes ideológicas. Poderia falar do seu fino humor (quase me atreveria a classificá-lo de «britânico», mesclado com alguma «brejeirice» bem portuguesa -ele e eu admiradores de José Vilhena-, para desagrado aparente -teatral?!?- da senhora sua esposa), do nosso benfiquismo, para suposta má cara do Hélio José - sportinguista. E de dois dos seus livros, que tive a honra e o prazer de paginar (se não estou em erro).
Carlos Abreu  «o outro lado» do engenheiro Pimenta: este é um capítulo que não encerrarei para já, pois a sua ausência e a sua memória não o merecem. Assim tenha eu saúde para que o possa recordar aqui, nesta «Nova Costa de Oiro» renascida («não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens», Valentim Rosado e Júlio Barroso, acrescento eu hoje - destruição que ele já não vai ver).

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A primeira capa da «Nova Costa de Oiro»

A primeira capa (e contra-capa) da revista «Nova Costa de Oiro» bem como o seu logótipo inicial foram feitas pela Lucinda Correia, a pedido do Hélio José.
Em 1995, a Lucinda tinha feito uma exposição de pintura a que chamou «À deriva», estudava Arquitectura na ESBAL, curso que veio a terminar e é a profissão que exerce actualmente, em Lisboa.
Se bem me lembro, o Hélio pretendia que a imagem tivesse um barco a zarpar do porto (o nosso?) e que a Costa de Oiro, que tinha sido imortalizada entre outros por pintores como Falcão Trigoso, estivesse bem visível. Também pretendia que o logótipo inicial representasse a «juventude» da revista. Passado algum tempo, este foi substituído por outro, que encima este blogue.
Quinze anos depois, parte da Costa de Oiro está prestes a desaparecer para dar lugar a um empreendimento  turístico-imobiliário que não deveria ser construído e a Lucinda faz parte de um enorme grupo de jovens lacobrigenses que foram estudar para outras terras e que não encontraram qualquer razão para voltarem à sua terra natal, contribuindo dessa forma para a riqueza da nossa. Eles são muitos, a exercerem cargos de relevância em muitas áreas (saúde, educação, design, tecnologia, etc), mas só cá voltam para as férias. Encontramo-nos na rua ou no mercado, metemos a conversa em dia mas quase que sinto (será imaginação minha?) que eles já não encontram na Lagos de 2010 a magia que a nossa cidade tinha quando éramos jovens.
(para ler e recordar a Lucinda na página 21 da primeira edição da «Nova Costa de Oiro», que pode ser descarregada ao lado em PDF.)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Publicidade

A feitura de uma revista como era a «Nova Costa de Oiro», 26 páginas, com alguns planos a cor, com papel couché mate (ou de um jornal qualquer que podemos comprar)  acarreta custos muito elevados.
Há salários a serem pagos, há custos com fotografias (recordo que em 1995 as fotografias eram reveladas, pois não dispúnhamos de máquinas digitais, que hoje são banais), há telefones, há cassetes para gravação das entrevistas e há os elevados custos de distribuição e de impressão. Com o preço de capa de 300$00 (cerca de 1,5€), mesmo que todos os exemplares fossem vendidos, a receita daí arrecadada não permitiria suportar todos os custos. Daí, que a publicidade tenha sido (como hoje ainda o é) fundamental para que se possa produzir um jornal ou uma revista.
Na nossa primeira edição foram as seguintes as empresas que participaram e nos ajudaram com publicidade: Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Barlavento Algarvio, Frilagos, Lacoarte, Urbanização Ponta da Gaivota, Informédia, José d'Abreu & Fls, Lda, Câmara Municipal de Lagos, Talho do Custódio, Gouveia Informática, Lda, Padaria Central, Lacogeste e Restaurante Piri-Piri.
Quinze anos volvidos e correndo o risco de ser injusto de alguma forma tenho hoje a amarga sensação de que o tecido empresarial e comercial lacobrigense nunca ajudou empenhadamente não só o nosso projecto, nem outros que existiram e que desapareceram, entretanto. É com um sentimento de pesar que o constato pois, como tal como em 1995, hoje ainda continuo a acreditar que uma sociedade bem informada é uma sociedade melhor, o que não se verifica em Lagos no ano de 2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ficha Técnica da Nova Costa de Oiro nº 1

O primeiro número da revista «Nova Costa de Oiro», que foi apresentada publicamente no «Amuras» - Marina de Lagos, no dia 27 de Outubro de 1995, Dia da Cidade de Lagos, apresentava na sua Ficha Técnica os seguintes nomes:
Director: Hélio José - Chefe de Redacção: Carlos Mesquita - Produção: Fernanda Carmo - Informática: Carlos Mesquita - Colaboradores: Ana Balmori, Álvaro Lourenço, Carlos Abreu, Hélio Xavier, Joaquim Marreiros, José António Martins, José Neto Cabrita, Nuno Marques, Rui Mateus, Silvestre Ferro.
Paginação e Composição: Nova Costa de Oiro -  Impressão: Litográfica do Sul S.A. - Marketing: Hélio José e Carlos Mesquita - Editor: Hélio José - Redacção e Administração: Rua Dr. Joaquim Tello n.º 10, 8600 Lagos - N.º de Depósito Legal: 9235/95 - Propriedade: Hélio do Carmo José.
A leitura desta Ficha Técnica merece-me algumas considerações.
Há dois nomes que me despertam  imediata atenção: o de Carlos Abreu (João Carlos Telo Baptista de Abreu Pimenta) e o de José Neto Cabrita. Foram dois amigos desde a primeira hora na feitura da «Nova Costa de Oiro», mas que hoje já não se encontram entre nós. A eles dedicarei a posterior atenção que a sua memória me merece.
Depois, o facto de a «Nova Costa de Oiro» dispor de um grupo de colaboradores de mais alto nível (alguns um pouco mais velhos e experientes), outros mais jovens. Entre estes, dois amigos de sempre: o Rui Mateus e o Nuno Marques. Independentemente de politicamente nos encontrarmos em campos opostos, e de sermos adversários leais, foram e têm sido sempre de uma amizade inquestionável!
De outros colaboradores (e dos que vão aparecer em futuras Fichas Técnicas), dos seus excelentes contributos, da cumplicidade e da amizade que se forjou entre nós, também espero ir dando conta brevemente.
Ah, Carlos! És uma pessoa de sorte, por teres convivido com toda esta gente maravilhosa! E por os teres como amigos!