Na primeira edição da revista «Nova Costa de Oiro» (Outubro 1995), o nosso colaborador Joaquim Marreiros escreveu o excelente texto seguinte: «Mesmo à entrada da “cidade da Costa D'Oiro”, a cidade que amo e onde vivo desde sempre, apareceu antes do Verão este cartaz publicitário de grandes dimensões […] (do «Parque da Floresta», localizado em Budens e meu vizinho).
De todas as vezes o cartaz fazia-me, com a teimosia própria dos cartazes, a mesma pergunta em inglês: “Onde é que está o Algarve não deteriorado?”, mas que em português, entalado entre dois idiomas provavelmente dominantes, assumia a forma envergonhada de “verdadeiro Algarve. […]
Passados todos estes meses ainda não me habituei à frase, bem pelo contrário, só que a verdadeira raiva que senti ao vê-la pela primeira vez, devo confessá-lo, conduziu-me à seguinte reflexão: como é que se chega ao ponto de se utilizar a descaracterização duma região como imagem promocional dela própria?»
Passados 15 anos eis uma reflexão que mantém toda a actualidade e pertinência. Mas, hoje, posso responder com mais certezas do que então à pergunta do Joaquim: o Algarve não deteriorado não é no sítio publicitado no cartaz e meu vizinho da frente, nem no aldeamento da responsabilidade da mesma empresa na Boca do Rio, nem o da Praia do Martinhal. Mas no concelho da Vila do Bispo, onde agora vivo, está em quase todo o lado.
O mesmo já não posso dizer de Lagos, onde todo o litoral do concelho está deteriorado e foi destruído, o que me provoca verdadeira raiva.
De todas as vezes o cartaz fazia-me, com a teimosia própria dos cartazes, a mesma pergunta em inglês: “Onde é que está o Algarve não deteriorado?”, mas que em português, entalado entre dois idiomas provavelmente dominantes, assumia a forma envergonhada de “verdadeiro Algarve. […]
Passados todos estes meses ainda não me habituei à frase, bem pelo contrário, só que a verdadeira raiva que senti ao vê-la pela primeira vez, devo confessá-lo, conduziu-me à seguinte reflexão: como é que se chega ao ponto de se utilizar a descaracterização duma região como imagem promocional dela própria?»
Passados 15 anos eis uma reflexão que mantém toda a actualidade e pertinência. Mas, hoje, posso responder com mais certezas do que então à pergunta do Joaquim: o Algarve não deteriorado não é no sítio publicitado no cartaz e meu vizinho da frente, nem no aldeamento da responsabilidade da mesma empresa na Boca do Rio, nem o da Praia do Martinhal. Mas no concelho da Vila do Bispo, onde agora vivo, está em quase todo o lado.
O mesmo já não posso dizer de Lagos, onde todo o litoral do concelho está deteriorado e foi destruído, o que me provoca verdadeira raiva.

2 comentários:
A lei dos "pato bravo" imperou, ou o dinheiro, sei lá, mas agora também pouco importa, o que importa agora é que todos nos "revolucionamos" contra esta escumalha que destruiu o ALGARVE, nem que seja ao tiro!!!
Pois é amigo.
Há anos que tento passar a mensagem que Lagos (e não só) deviam crescer para o interior, de modo a preservar o litoral. Mas parece que a palavra preservar é entendida de maneira diferente por algumas pessoas.
abraço
JP
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