terça-feira, 13 de abril de 2010

Carlos Abreu, «o outro lado» do engenheiro Pimenta (1ª parte)

«Finalmente, a "Costa d'Oiro renasceu, não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens, mas a Revista, que durante as décadas da Belle Époque foi lida avidamente pelos lacobrigenses, não só por aqueles que aqui viviam, mas principalmente por aqueles que lá fora, em Lisboa, no Porto, em Angola ou em Timor sentiam saudades maiores da sua terra natal. A época era bem diferente, Lagos era uma cidade de lacobrigenses e de militares [...]».
Foi desta forma que Carlos Abreu deu início à sua coluna intitulada «Reflexões» em Outubro de 1995, participação regular que manteve até mesmo após  o seu falecimento (Outubro de 1999). Em texto que nos tinha deixado e que publicámos postumamente na edição de Dezembro de 1999 («Nova Costa de Oiro», n.º 32), acrescentámos então: «NR: É com profunda emoção que damos à estampa a derradeira colaboração que Carlos Abreu nos entregou, escassos dias antes de falecer.
No vazio insubstituível da sua ausência, ficam expressos conceitos e ideias que nos devem levar a pensar sobre o nosso humilde papel nesta Terra».
No seu blogue «Promontório da Memória» (nesta ligação) o insigne cidadão algarvio e distinto académico Professor Doutor Vilhena Mesquita apresentou a biografia de Carlos Abreu. Eu não tenho o engenho, nem o dom ou a veleidade de acrescentar alguma mais-valia a esse texto. Só poderei falar de Carlos Abreu, o «outro lado» do engenheiro Pimenta por via do coração, que é caminho traiçoeiro como se sabe. Só poderia falar da sua esmerada educação, a que fez com que nunca tivéssemos discutido ou esgrimido convicções, embora nos situássemos em campos opostos por via das nossas matrizes ideológicas. Poderia falar do seu fino humor (quase me atreveria a classificá-lo de «britânico», mesclado com alguma «brejeirice» bem portuguesa -ele e eu admiradores de José Vilhena-, para desagrado aparente -teatral?!?- da senhora sua esposa), do nosso benfiquismo, para suposta má cara do Hélio José - sportinguista. E de dois dos seus livros, que tive a honra e o prazer de paginar (se não estou em erro).
Carlos Abreu  «o outro lado» do engenheiro Pimenta: este é um capítulo que não encerrarei para já, pois a sua ausência e a sua memória não o merecem. Assim tenha eu saúde para que o possa recordar aqui, nesta «Nova Costa de Oiro» renascida («não a das arribas doiradas, que essa esteve sempre viva, embora muitas vezes ferida pelo mar e pelos homens», Valentim Rosado e Júlio Barroso, acrescento eu hoje - destruição que ele já não vai ver).

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